Olá, me chamo
Maria
Firmina
É um prazer te conhecer ❤️
Era uma vez uma menina que nasceu em 1822, em São Luís do Maranhão, filha de Leonor Felippa dos Reis, uma mulher alforriada. Meu nome é Maria Firmina dos Reis.
Desde cedo compreendi que a cor da minha pele e o fato de ser mulher me colocavam diante de muros altos. Mas não me deixei deter. Fui criada entre mulheres fortes — minha avó Engrácia, minha amiga Guilhermina, minha mãe Leonor — e delas aprendi que a liberdade não é dádiva, é conquista. Quando menina, passava horas observando o céu e as flores do quintal, sonhando com um mundo em que ninguém fosse tratado como coisa.
Aos vinte e poucos anos, prestei concurso para professora de primeiras letras. Diziam que eu era nova demais, mas insisti. Ajustei até mesmo a data do meu nascimento para poder ensinar — e ensinei. Ensinava não apenas as letras, mas também a dignidade. Lembro do dia em que recusei o palanquim preparado para me levar à nomeação. Disse: “Negro não é animal para se andar montado nele.” Fui a pé, e com orgulho.
Em 1859 publiquei meu primeiro romance, Úrsula, assinado apenas por “Uma Maranhense”. Era um gesto ousado para uma mulher negra do século XIX. No livro, dei voz a quem o mundo insistia em calar: os escravizados. Foi minha forma de lutar, de gritar, de mostrar que nós também escrevemos, sentimos e sonhamos.
Minha vida foi feita de perdas e de ternura. Criei filhos que não nasceram de mim, mas do afeto — Manfredo, Leude, Nhazinha e tantos outros. Em cada um deles deixei a semente da educação e da esperança. Escrevi contos, poemas, hinos. Fui mestra régia, mulher livre, escritora e, sobretudo, alguém que acreditava que a palavra podia libertar.
Hoje, ao olhar o tempo que passou, sei que dancei contra o ritmo imposto pela sociedade. Fiz da literatura meu palco e da educação, meu instrumento. Não escrevi para ser lembrada, mas para libertar vozes.
Meu nome é Maria Firmina dos Reis, e minha história é feita de luta, ternura e palavra.
É um prazer te conhecer!
Quadrinhos Sobre Maria Firmina
Quadrinista: Aurieli Adam
Roteirista: Bruna Meoti
Quadrinho 01
Um espírito vaga, em busca de entender quem é.
Quadrinho 02
O espirito chega ao momento de seu nascimento.
Quadrinho 03
A infância de Maria Firmina, na casa de sua avó. Trecho retirado de seu "Álbum", livro onde anotava suas memórias.
Quadrinho 04
Maria Firmina é aprovada no concurso público para ser professora.
Quadrinho 05
Quem foi Maria Firmina?
Quadrinho 06
Introdução ilustrada do romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, primeiro romance escrito por uma mulher negra no Brasil.
Quadrinho 07
O espírito de Maria Firmina reflete sobre o esquecimento
Ilustrações
Ilustradora: Aurieli Adam
Proposta executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc.